Fui pela primeira vez à Campus Party com o interesse de conhecer mais sobre este evento que fez tanto sucesso nos anos anteriores. Através de amigos fui informado dos prós e contras de passar uma semana acampado em uma barraca tendo em volta milhares de computadores e pessoas com interesses comuns.

Barracas da campus Party 2010

Barracas da Campus Party 2010

Grande parte do ocorre na Campus Party tem foco na diversão e entretenimento. São centenas de participantes que encaram a Campus Party como uma maratona de jogos. Vão apenas para jogar em rede, baixar jogos, aprender com outros jogadores. Além disso, existem telões enormes e vários torneios sendo realizados o tempo todo. Outra parte é fã de música e talvez valha a mesma regra. O casemod também está presente em massa, com alguns cases realmente muito bons, como o casemod do LOST. Não tive tempo de avaliar as palestras da área de marketing e robótica, mas como estavam sempre cheias, acredito que tenham tido boa qualidade.

Até o Mitnick apareceu por lá, em um palco montado pela Telefônica, e a palestra dele foi muito interessante.

Porém meu objetivo era acompanhar as palestras de blogs, software livre e desenvolvimento.

Na área de blogs, não posso dizer que as palestras foram ruins. Na verdade algumas tiveram temas bem inovadores (Is internet for porn?), mas a maior parte apresentava informações para um público iniciante no ramo, o que não é o meu caso. Portanto, no meu ponto de vista as palestras abordaram assuntos básicos e mesmo assim de maneira bem superficial. Outras vezes uma palestra com um título extremamente sugestivo “Monetize seu site sem perder a identidade” não passava de um merchandising tendencioso de 1 hora de duração. Bastante coisa de apoveitava desta palestra, mas achei decepcionante a maneira como foi inserida no contexto do evento.

Na área de desenvolvimento, as palestras foram medianas. Muitas delas focavam demais em código, o que é no mínimo perda de tempo em um ambiente físico ruidoso como aquele. A Campus Party é barulhenta. Isto é um fato. Não se absorve muita informação técnica e linhas de código desta maneira. Mas mesmo assim os temas foram bem variados, e para todos os gostos. Da mesma forma como na área de blogs, havia também propagandas disfarçadas de palestras, mas mesmo estas eram muito úteis e forneciam informação interessante para aqueles que quisessem conhecer sobre uma determinada tecnologia.

Por mais técnicas e densas que fossem as palestras, o bom humor não ficava de lado nas apresentações. Tirei uma foto para ilustrar!

Campus Party - Bom humor nas apresentações de desenvolvimento

Campus Party - Bom humor

O melhor mesmo fica para o final: software livre. As poucas palestras que assisti foram excepcionais. Só não assisti mais porque não tenho ainda muito conhecimento na área e a concorrência de palestras no mesmo horário acabaram me levando mais vezes ao setor de desenvolvimento. Além de tradução simultânea feito pelo próprio moderador, os convidados eram excelentes, com ótimas experiências a serem passadas. Dezenas de histórias de sucesso na área de software livre, em vários setores diferentes do mercado o fazem repensar a utilização de software proprietário. Especialmente para que trabalha com desenvolvimento de software em plataformas proprietárias, a impressão ao sair da palestra é a de que você está indo pelo caminho errado. As vantagens da linguagem Python e a adequação de sistemas baseados no Linux às mais diversas necessidades do mercado mostram que o software livre é no mínimo muito promissor. A antiga concepção de utilizar um software proprietário para ter a quem responsabilizar em caso de problemas se mostra defasada e inútil.

Se um dia eu me tornar um programador que saiba realmente contribuir e tirar vantagens do ambiente  colaborativo que ronda o mundo software livre, terei que atribuir o primeiro passo às palestras que assisti no Campus Party 2010.

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